Na cadeia do frio industrial e laboratorial, quanto menor a temperatura de armazenamento, maior o desafio técnico no processo de Qualificação de Equipamentos. Os ultra-freezers (ultralow temperature freezers, ou ULTs) são ativos críticos e de alto custo, exigindo uma abordagem rigorosa em todas as etapas de validação (IQ, OQ e PQ).
Abaixo, destacamos os três pontos mais críticos que devem constar no escopo de qualificação térmica desses equipamentos:
1. Gradientes Térmicos Extremos e Vedação (IQ/OQ)
Em operações a -80°C, o gradiente térmico entre os ambientes interno e externo é massivo. Qualquer microfresta nas gaxetas de vedação da porta resulta em pressões diferenciais que causam a sublimação e a consequente formação imediata de gelo (bloqueio).
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Foco da Qualificação de Instalação (IQ): Deve haver uma inspeção minuciosa da integridade mecânica das travas e da homogeneidade do assentamento das gaxetas para prevenir desvios térmicos e perda de desempenho do compressor.
2. Tempo de Subida (Warm-up Time) e Resposta de Contingência
O ensaio de perda de carga térmica — ou warm-up time — é um dos testes mais vitais na Qualificação de Desempenho (PQ). Ele determina exatamente quanto tempo o ultra-freezer leva para transitar de –80°C até o limite crítico de aceitação (geralmente –60°C) após uma falha total no sistema de refrigeração ou queda de energia.
Importância Estratégica: Este dado empírico, obtido via mapeamento térmico, é o que fundamenta o Plano de Contingência e determina o Acordo de Nível de Serviço (SLA) máximo para a equipe de manutenção preventiva e corretiva agir antes que ocorra a degradação dos reagentes ou insumos biológicos.
3. Instrumentação e Sensores Especiais para Validação
A instrumentação utilizada no mapeamento térmico de ultra-freezers não pode ser convencional. Em ambientes de frio extremo, baterias de lítio comuns sofrem passivação e falham, comprometendo a integridade dos dados (data integrity).
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Sensores RTD (PT100): É indispensável a utilização de dataloggers calibrados com termoresistências do tipo PT100 ou termopares especiais (como os de Tipo T), com cabos extensores que permitam que o módulo de leitura e as baterias fiquem do lado de fora da câmara fria, garantindo a exatidão das leituras exigida pelas normativas vigentes (como a RDC 430/2020).